sábado, abril 11, 2015

Inquisição à religião




Um dia, dentre muitos outros, o planeta nasceu. Simplesmente nasceu, da maneira que esteja hoje é muito certo que não, mas a partir de incansáveis nascimentos e extinções, beleza e ópio, animais e homens. Devido a sua incompreensível capacidade de pensar, surgiu a dúvida mais antiga e misteriosa de todo a galáxia: “ De onde vinhemos, e para onde vamos?”.  Foi nesse grande vácuo que o homem devido a sua insegurança e medo do desconhecido precisou criar na sua vida um propósito, um ato de crer. Crença. Mais tarde religião. Hoje incerteza.

A palavra religião remete a palavra religar, reunir, união. Mas nem tudo que parece é, e esse “nem” abrange muitas peças nesse quebra-cabeça terráqueo. Entre elas, a distinção tão radical de pessoas e crenças. O hinduísmo, uma religião encabeçada por Gandhi é conhecida por pregar a não violência entre os povos, se contrapõe ao islamismo xiita onde o ente superior se transpõe de uma forma tão abrupta aos seus fiéis que tanto morrer como matar é considerado um ato de fé com o nome de guerra santa. Essas são só duas contraposições religiosas existentes.




O homem desde seu processo iniciante de globalização e exploração sempre exaltou a religião como um de seus pilares mais básicos e essenciais. O descobrimento do Brasil se deu, por exemplo, em meio a outros objetivos, disseminar o ideal cristão, tanto que os jesuítas foram um dos primeiros grupos de portugueses a se instalarem na colônia, trabalhando para catequizar a raça indígena considerada selvagem com o fim de os tornarem civilizados assim como os europeus. As cruzadas, antes um movimento extremamente religioso e com ideais de justiça e posteriormente uma irônica corrida ao ouro, como ladrões, mostra a força da religião na humanidade. Mas por quê?

No mundo de hoje contemplamos a liberdade de expressão, às vezes mascarada e embrulhada devido ao mesmo tema deste texto, mas impressa em forma de religiosos, ateus, hereges, além de outras divisões externas. A descrença de qualquer religião, de uma divindade suprema, de Jesus Cristo, da ciência, do Big Bang, do criacionismo em sete dias, do evolucionismo em milhões de anos concretizam-se hoje. Concretizam-se na possibilidade de se acreditar que existe um ser superior a todos nós, da descoberta de um mundo tão vasto e imensurável, da tecnologia mais avançada a cada minuto.



A ignorância de existir um Deus que se iguala a uma matriz bondosa e cheia de perdão é antagônica às perversidades que são encontradas no mundo: guerras, desastres naturais, corrupção, desrespeito aos seres em geral, crimes hediondos e crueldade. Como seria possível acreditar em uma imagem que não se tem face ou voz que deixa seus filhos passarem por tantas desgraças? Desgraças às crianças inocentes e o perdão eternamente ativo para os homens sem índole ou qualquer sinônimo de sentimento. Os ateus têm uma apoteose de visões como essa e pitadas de antropocentrismo, ciência e racionalidade, além de terem argumentos mais que persuasivos e consistentes.




A religião e suas religiões têm uma beleza definida em meio a suas disciplinas. A grande necessidade de irrevogavelmente orar, rezar ou simplesmente pedir aos espíritos, Deus, Alá, Brahma, aos deuses gregos, aos santos: a paz. Uma bandeira branca e os pedidos de proteção à família, aos amigos, aos doentes e necessitados é um enredo muito positivo e quase universal às religiões, salve suas exceções. Porém desde muito tempo atrás, o estereótipo da imposição de uma religião vem caindo. São dogmas impostos por nada mais que humanos iguais a todos nós e que não deveriam ser elevados a condições de divinos, quiçá superiores. Talvez simples pessoas que fizeram mais o bem do que o mal ou que se impuseram demais e souberam exercer um poder sobre um povo tanto inocente, quanto ignorante.

A religião é um movimento muito tradicional. As manobras de algumas delas são centenárias e vitoriosas. A capacidade de uma dominação em massa, já que a Igreja Cristã, por exemplo, nunca deixou de procurar aumentar seu número de fiéis; a satisfação pessoal e a vaidade que líderes obtêm de seus seguidores, elevado a um patamar superior e denominado padre, pastor, ou papa, nada mais são do que títulos que levam a uma hierarquia que um conjunto tão santo e justo não deveria ter; todos esses fatores levam a uma conjuntura mais perigosa do plano inicial: a disputa entre religião um X religião dois X religião três por todas essas graças que as doutrinas religiosas trazem consigo. Na maioria das vezes a grandiosidade dos céus tão interligada a um deus, já que este seria onipresente no mundo assim como o céu, fazem com que as pessoas ultrapassem a barreira de suas convicções e toda a magia as faça esquecer que os representantes cultuais ainda são humanos e não híbridos.


'' A igreja é como um oásis de esperança em um deserto sem esperança''.

A torrente de falhas que a religião traz é inquestionável. A ânsia egoísta do homem de exercer sua sabedoria inquestionável e ser superior sobre os outros de sua espécie é uma das causas da religião. Foi preciso criar uma sobre a outra e transformar estas criações em guerras. Mais antigas com o protestantismo e o catolicismo, e mais atuais impossíveis do que a guerra islâmica contra qualquer religião que não seja a sua, num regime autoritário e explicitamente religioso. Um sábio homem disse que a religião é o ópio do povo e ele não estava errado. A grande sopa de problemas que o movimento traz consigo é grande: pessoas inocentes sendo mortas sem liberdade de opinião, o abuso contra crianças cometidos entre os santos na terra devido a seus dogmas de castidade e pureza para o final de uma guerra sem fim.

Acreditar em algo superior não aniquila a crença científica. A liberdade de decisão, menos que a de expressão é aberta a qualquer tipo de pensamento. Mas a religião em si, não precisa ser a base de um país, de uma guerra, de um povo. Nos próximos anos a luta será por água e não por deuses.



É muito proveitoso auto perguntar, explorar, querer saber mais. É necessário para a evolução. Porém a obtenção de respostas complexas nem sempre aparecerão. Ninguém sabe de nenhum acontecimento após o grande vão, a morte. E pouco se sabe de tudo na vida também. Se estivéssemos em um tribunal, por exemplo, seria inconstitucional afirmar que os ideais para a salvação são os dos religiosos e que os que os que não se declaram como tais estão condenados. O futuro é uma incógnita, assim como nosso presente. Até porque o mundo é movido à vida e não a tradições. Então se quem é uma ameaça à vida deve ser extinto ou preso, a religião merece prisão perpétua.

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